segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Gomorra, de Matteo Garrone

Falar de Mafia é falar de Itália. Mas não é pela Máfia dos Sopranos ou d’O Padrinho que Itália ganha este estatuto desgovernado. Há um outro tipo de Máfia, composta por gente de classes mais baixas, que se vêem obrigadas a criar a sua própria força de ataque, numa Nápoles onde se tem de atacar para não ser atacado. Se a melhor defesa é o ataque, não há forças neutras - ou estás de um lado, ou estás do outro - não há família, não há amigos.

Gomorra apresenta-nos exactamente este tipo de Máfia, um poder mais forte que o Governo, um poder descentralizado, onde tanto é grupo uma família como o são dois rapazes que, condenados por nascer no meio destas forças de constante ataque, se vêem obrigados a criar a sua própria Máfia como forma de fugir ao destino de ser comandado por uma das forças existentes.

O dinheiro está sempre presente no filme. Tudo gira à volta dele. E ele abunda, pelo que nos faz reflectir o seu real valor, ao vermos uma mesa repleta de notas, numa casa semi-abandonada num bairro social em péssimas condições. E se num segundo a mesa abundava de dinheiro, passados uns tiros já estava noutras mãos.

Baseado no livro de Roberto Saviano, este filme é uma referência para um tipo de cinema realista, que corta com os sonhos, com os mitos e de certa forma também com um certo glamour que está associado a esta actividade. É um filme feio, como a história merece.

André Duarte

1 Comentário:

Farick disse...

I look to find time to watch this movie in cinema of FEUP !

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